A primeira vítima do estuprador é a mãe, no metrô, depois ele vai atrás de suas filhas adolescentes
Quando Carmageddon foi lançado, em julho de 1997, causou controvérsia em todo o mundo. O jogo resumia-se a uma corrida em que, quanto mais pessoas o jogador atropelasse com seu carro, mais pontos ganhava. E as vítimas não eram monstros ou alienígenas, eram pedestres normais, velhinhos, freiras e mulheres grávidas. Alguns meses depois foi lançado o primeiro Grand Theft Auto, que acrescentava furtos e armas de fogo aos atropelamentos. Em 2005, um simulador de ato sexual foi incluído no GTA, que nessa época já apresentava violência gratuita em gráficos de três dimensões. Naquela ano, o governo dos Estados Unidos proibiu a venda de jogos violentos para menores de idade.
Agora, o que tem causado polêmica entre os americanos é um jogo de computador chamado RapeLay, em que o personagem principal deve estuprar mulheres no metrô. O "simulador de estupro", produzido pela Illusion, empresa japonesa especializada em fazer jogos pornográficos (chamados eroges), é comercializado no Japão desde 2006, mas até fevereiro deste ano era pouco conhecido fora do seu país de origem. No último mês, entretanto, o RapeLay foi vendido no site da Amazon, com a seguinte descrição: "no jogo você é um perturbador da ordem pública que, agora longe da prisão, busca novas metas. Você encontra uma mãe solteira e suas duas filhas e começa a caçá-las, uma por uma". A Amazon já retirou o produto do seu catálogo, e o site de leilões eBay também baniu o jogo.
Mas a democrata Christine Quinn, líder da câmara dos vereadores de Nova York, quer proibir o RapeLay em todo os Estados Unidos. Mas é pouco provável que uma lei afete o acesso ao jogo, já que muitos usuários conseguem cópias piratas, traduzidas para o inglês por fãs do game e disponibilizadas para baixar na internet. O efeito mais provável da legislação é torná-lo mais popular, despertando a curiosidade e aumentando o número de downloads ilegais.
Embora videogames sejam muitas vezes acusados de influenciar atos de violência dos jogadores, o RapeLay evoluiu de um problema real da sociedade japonesa: o chikan, palavra japonesa para uma prática sexual em que o prazer deriva da fricção no corpo de uma pessoa totalmente vestida. Os lugares em que isso mais acontece são metrôs lotados. O problema é tão grande que algumas companhias japonesas estabeleceram vagões exclusivamente femininos.
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