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terça-feira, 17 de março de 2009

Audi A1 chega ao Brasil em 2010

Para recuperar imagem, marca irá anunciar novo presidente e fazer lançamentos no país. Idéia é se tornar a número 1 do segmento premium até 2015, superando Mercedes-Benz e BMW

Fabricio Migues, de Ingolstadt, Alemanha

Audi
Conceito Metroproject dá dicas de como será o A1, modelo de entrada da Audi no Brasil a partir do próximo ano
Investir para mudar. Esta é a saída da Audi para resolver sua atual situação no Brasil, de perda de mercado e decisões equivocadas. Para reverter o encolhimento da marca após a matriz assumir os negócios no país, vários produtos serão lançados. Entre eles, o hatch A1, previsto para 2010. A empresa alemã anunciou o lançamento do modelo ontem (10), em sua sede em Ingolstadt, Alemanha, junto com os planos para o nosso país. O diretor mundial de vendas e marketing, Peter Schwarzenbauer confirmou que o principal objetivo é se tornar, em seis anos, a marca premium número 1 do país, superando BMW e Mercedes-Benz."Anunciaremos também, em 1º de abril o novo presidente da Audi do Brasil que será brasileiro", disse.

O A1 será feito baseado no carro conceito A1 Concept, que foi revelado em 2008. Será o novo veículo de entrada da Audi no mundo, posicionado um pouco abaixo do A3. Como a marca pretende aumentar suas vendas no Brasil, é prioridade que ele chegue ainda em 2010. “O Brasil é um mercado importante, e esse modelo fará sucesso, pois pertence a um segmento bastante desejado no país”, revelou Schwarzenbauer.

Audi
A1 também deve ter versão com quatro portas e o mesmo requinte dos demais modelos da montadora alemã
O diretor garantiu também que o A1 terá preço competitivo, independente das oscilações do câmbio. “Nós temos um acordo de proteção de moeda, com câmbio fechado. Por isso, os preços não mudarão. Temos condições, desde já, de planejar o valor dos futuros modelos.” Além do A1, a Audi trará ainda neste ano o utilitário esportivo Q5 e os esportivos S3 e TTS. No mundo, a companhia lançará, em 2009, o A4 Allroad e o A5 SB. No ano que vem, um utilitário esportivo da família A, R8 Spider e A7. A marca revelou ainda que está realizando testes com motores flex E-85 (85% de álcool e 15% de gasolina), principalmente mirando a Suécia e a Noruega. No entanto, ele não descartou se os modelos terão essa opção no Brasil. “Estamos testando em conjunto com a Volkswagen”, disse.

Recuperação

Schwarzenbauer reconheceu que a Audi pecou no Brasil nos últimos anos. Enquanto o mercado premium crescia no país, a marca conseguiu ir no sentido contrário, e viu suas vendas despencarem. Decisões erradas, como a de não participar do Salão do Automóvel de São Paulo em 2008, também contribuíram para arranhar a imagem da empresa no Brasil. No entanto, o momento parece ser diferente. A Audi mostrou que está saudável financeiramente, mesmo com a crise, pois tem dinheiro em caixa suficiente para financiar seus investimentos sem necessitar de crédito externo. Por isso não demitiu ninguém e não mudou o planejamento futuro.

Audi
Utilitário esportivo Q5 chega ainda neste ano ao mercado brasileiro. Clique e confira avaliação exclusiva da Autoesporte

Assim, a empresa pretende reconstruir sua imagem no país, como fez na Europa nos últimos anos, onde foi apontada, por pesquisas das duas principais revistas alemãs (Auto Bild e Auto Zeitung), a "marca mais sofisticada do continente", ficando a frente, pela primeira vez, de BMW e Mercedes-Benz. A meta principal hoje é anunciar rapidamente o nome do presidente da subsidiária brasileira. Shwarzenbauer irá pessoalmente ao Brasil para revelar o nome, no dia 1º de abril.

O próximo passo será recuperar o moral dos 17 concessionários no Brasil. Para o diretor, a empresa focou demais na venda do A3 nacional, que deixou de ser produzido em 2006. Isso deixou as lojas (e a marca) sem direção no país: “Precisamos mostrar que temos um portfólio de produtos premium muito bom. Ainda temos a imagem de empresa que só vende A3. Isso tem de acabar rapidamente”, disse. “Modelos como o TTS, o Q5 e o S3 servem para fortalecer a imagem do país. Então, precisamos trabalhar em cima deles e de todos os outros que já estão à venda.”

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Os esportivos S3 e TTS também estão nos planos da marca no Brasil para 2009
Ele revelou que a Audi se tornará, já no ano que vem, a marca premium que mais vende na Europa, superando BMW e Mercedes-Benz. No Brasil, como os planos ainda estão no começo, isso só deve acontecer em 2015. Mesmo assim, planos de voltar a produzir no Brasil estão descartados, por enquanto. “Nosso parque industrial é grande o suficiente para atingirmos nossos objetivos.”

Traduzindo em números: a Audi vendeu 1.003 milhão de veículos no mundo em 2008. Desses, 1.427 foram emplacados no Brasil, 15% do total do mercado premium. Em 2009, a meta no mundo é vender 900 mil (ligeira queda por causa da crise). No Brasil, o objetivo são 2 mil unidades. Em 2015, a Audi quer atingir 1,5 milhão de unidades vendidas no mundo, sendo 5 mil no Brasil, o que representaria 30% do segmento premium.

Crise

Schwarzenbauer comentou ainda sobre a crise mundial do setor automotivo. Segundo ele, a Audi calcula que 2011 será o ano da virada, em que tudo já terá passado. “Analisamos todas as crises econômicas do mundo nos últimos 80 anos e cada uma delas durou em média entre três e quatro anos. Não será diferente dessa vez”, afirmou.

O diretor acredita que boa parte da crise é psicológica. “Basta analisar os números. Tivemos ligeira queda, mas, de tudo que anda acontecendo, a maior parte deste encolhimento é psicológico. A crise é, realmente, 30% do que dizem. Portanto, não demoraremos para recuperar, e, em 2010, já sentiremos um recomeço”, disse. Para ele, o setor irá se acertar, mesmo que algumas empresas possam vir a fechar.

AP Photo/Matthias Schrader
Peter Schwarzenbauer, diretor mundial de vendas e marketing, posa ao lado de outros executivos da marca durante coletiva

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